segunda-feira, 29 de agosto de 2011

13. Ali Farka Toure (Mali) / Constantinople (Canadá/Irão/…)


Encantos da Alma (06/03/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Ali Farka Toure (Mali)
“Ali Ibrahim Toure nascera em 1939, na aldeia de Kanau, junto ao rio Níger, no nordeste do Mali; faz amanhã (07/03/2011) cinco anos que foi vencido pela morte, quando tinha 67 anos de idade e 55 de carreira de sucesso. O sobrenome “Farka” (que quer dizer “burro”, isto é, “teimoso”), advém-lhe do facto de ter sido o primeiro filho dos seus progenitores a sobreviver à infância (nove irmãos haviam morrido antes de ele nascer). Apesar de ser de origem nobre, fazendo parte da etnia Arma, Ali Farka Toure não frequentou a escola e foi educado no campo. No entanto, muito cedo se interessou pela música. Começou por ganhar proeminência no Mali, nos anos 60, com a Orquestra Troupe 117. Integrou, então, a Orquestra da Rádio Mali, descobriu os blues através da música de John Lee Hooker, e em 1976, quando contava já 37 anos, lançou o seu primeiro disco. Ligou-se então à editora inglesa World Circuit, resultando desse contrato dez álbuns: “Ali Farka Toure” (1988), “The River” (1990), “The Source” (1992), “Talking Timbuktu” com Ry Cooder (1994) com o qual ganhou um grammy, “Radio Mali” (1996), “Niafunké” (1999), “Red & Green” (duplo constituído por dois discos originalmente editados em vinil em 1979 e 1988) (2004), “In the Heart of the Moon”, com Toumani Diabaté (2005) e “Savane” (2006) e “Ali & Toumani” (2010), ambos editados após a sua morte.
Agora que faz cinco anos que esta autêntica instituição nos deixou, não podíamos deixar de lhe voltar a prestar a merecida homenagem.”
(04) Savane (7:43) “Savane”
(05) Amandrai (9:23) “Talking Timbuktu”
(12) Amadinin (7:10) “Radio Mali”

2ª Hora: Constantinople (Canadá/Irão/…)
“O ensemble Constantinople, fundado em Montreal (Canadá) em 1998 pelo iraniano Kiya Tabassian, consagrou-se na utilização de uma linguagem única e de uma visão nova e criativa face à interpretação das músicas da Idade Média e do Renascimento. O trabalho de recolha do grupo baseou-se num cuidadoso estudo dos manuscritos históricos e na sua aproximação à tradição oral do Próximo e do Médio Oriente, nomeadamente à clássica persa. Assim, os Constantinople debruçam-se sobre uma "fertilização cruzada" entre as diversas culturas musicais medievais e renascentistas das áreas à volta do Mediterrâneo, sobretudo a judaica, a árabe, a persa e a cristã. Para o efeito, convidam para as suas gravações uma grande quantidade de músicos de geografias diferentes, entre as quais se salientam, por exemplo, Anne Azéma e Françoise Atlan. Naturalmente que os Constantinople se servem, também, de uma panóplia de instrumentos antigos, como o alaúde, a vihuela, a harpa medieval, a viola da gamba e a vièle, entre outros, bem como de instrumentos orientais, tais como o tombak, o daf, o santour, o oud, o setar (instrumento de cordas de origem persa) e o dayereh (espécie de tambor persa).
Até à data, os Constantinople editaram doze registos: “Jardin de la mémoire” (2000) para a XXI world classic; para a Atma Classique “Constantinople” (2001), “Memoria Sefardí” (2002), “Li Tans Nouveaus” (2003), “Terres Turquoises” (2004), “Carrefour de la Méditerranée” (2004), “Constantinople” (2005), “Que le yable les emporte!!!” (2005), “Mania” (2006), “De Castille à Samarkand”   (2006), “Terra Nostra” (2007) e “Ay!! Amor...” (2008).”
(06) De moi doloreus vos chant (5:00) “Ay!! Amor...”
(06) Hermins (5:26) “Li Tans Nouveaus”
(09) Hija mia mi querida (3:45) “Constantinople”
(08) El rey de Francia  (4:29) “Memoria Sefardí”
(07) Caballero (3:35) “Terres Turquoises”

12. Hasna El Becharia (Argélia) / Ensemble De Organographia (EUA/ Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks)


Encantos da Alma (27/02/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Hasna El Becharia (Argélia)
“Natural de Béchar, uma localidade situada na área desértica do sudoeste da Argélia, Hasna El Becharia é a única mulher no Magrebe a tocar música Gnawa, a tradicional mística de transe que aprendera com o pai, um homem devoto, ele próprio um mestre do sincretismo Gnawi. Género praticado exclusivamente por homens, exerceu, no entanto, um fascínio em Hasna, levando-a a romper com a tradição, o que fez com que fosse alvo de grande rejeição e sarcasmo.
Durante cerca de 30 anos, Hasna El Becharia começou por interpretar as músicas tradicionais dos árabes e berberes do deserto, sobretudo peças para abrilhantar casamentos. Primeiro, tocou numa espécie de guitarra acústica denominada gumbri (um baixo arcaico de três cordas, tradicionalmente feito de tripa); depois adoptou, também, a guitarra eléctrica, não para se aproximar do rock - que chegou à Argélia no final dos anos 50 -, mas para melhor se fazer ouvir durante os concertos, onde o público abafava a sua voz, quando se lhe juntava nas suas músicas. Exímia instrumentista, Hasna toca, ainda, oud, darbouka, bendir e até banjo.
Em 2002, com cerca de cinquenta anos de idade, Hasna lançou o seu álbum de estreia, “Djazaïr Johara” (Label Bleu/Indigo), em Paris, disco que conta com grandes músicos da Argélia, mas também de Marrocos, Tunísia e Níger. Em 2010, Hasna El Becharia regressou com “Smaa Smaa” (Il canto di Lilith/Lusafrica), gravado entre as dunas do Sahara, com simples e extraordinários instrumentos acústicos. Em ambos, Hasna canta com uma voz profunda e quase masculina e expressa inteiramente a sua espiritualidade numa linguagem contemporânea. Por um lado, desenvolve um estilo enraizado na tradição (nos ritmos gnawi, mas também nos populares estilos chaâbi da Argélia e Marrocos) e, por outro, pisca os olhos às novas sonoridades, pontuadas por guitarras, clarinete e violino.”
(06) Hakmet lakdar (5:50) “Djazaïr Johara”
(09) Radi Braïde (6:36) “Djazaïr Johara”
(06) Galbi (3:55) “Smaa Smaa”
(02) Sadrak (4:09) “Smaa Smaa”

2ª Hora: Ensemble De Organographia (EUA/ Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks)
“É impressionante que tenham sobrevivido ao tempo um número significativo de composições e de textos teóricos sobre a música da Grécia Antiga. Autores como Platão e Aristóteles, entre outros, contribuíram com informações teóricas, a educação musical e o papel da música na sociedade. Aristoxenus, um discípulo de Aristóteles, escreveu sobre os aspectos práticos da performance musical e, juntamente com Euclides, Pitágoras e Ptolomeu, foi um importante precursor da acústica. Por sua vez, um tratado de Alípio constituiu a principal fonte de informações para a interpretação da notação musical grega. Esses documentos escritos serviram de modelos para os tratados teóricos posteriores e ajudaram a moldar o curso da música ocidental e do Médio Oriente. Outros meios de informação sobre a música grega antiga foram adquiridos a partir dos objectos de arte sobreviventes, especialmente esculturas e pinturas em vasos, que retratam músicos e instrumentos.
Lamentava-se, no entanto, o facto de existir na actualidade apenas um pequeno número de composições da Grécia Antiga. Felizmente, graças a pesquisas recentes, mais de 50 exemplos desse emocionante repertório foram descobertos com notação musical, nomeadamente em Oxyrhynchus (Egipto) e incluídos, pela primeira vez, nos registos do Ensemble De Organographia, um extraordinário grupo de Oregon (EUA) constituído por Philip Neuman e Gayle Neuman, especializado na música da Antiguidade, da Idade Média, do Renascimento e do século XIX.
Descobertas arqueológicas na Síria e no Iraque, durante as últimas décadas, trouxeram ao conhecimento novos documentos musicais que têm aumentado bastante a nossa compreensão da música antiga. Textos que descrevem a notação musical da Babilónia foram descobertos em Ur e em Ashur e composições escritas nesse sistema foram encontrados em Ugarit e Nippur. Essas descobertas ajudaram a clarificar a arte musical Sumero-Babilónica e, enquanto as informações sobre a notação musical egípcia permanecem obscuras por comparação, várias descrições verbais de performances instrumentais e alguns documentos musicais que sobreviveram ao tempo foram identificados.
Na gravação “Music of the Ancient Greeks” (1995, 1997 Pandourion Records), aparece a maior parte do repertório grego antigo existente, preservado principalmente na pedra e no papiro, abarcando quase 800 anos (desde o século V a.C. ao século III), excepto algumas peças que se pensa serem apócrifas, vários fragmentos muito curtos, e uma série de outras peças que aparecem em “Music of the Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks” (2006, 1999 Pandourion Records). O repertório desta gravação remonta ao século XX a.C. e vai até ao século III e inclui, entre outras, as instruções musicais para o hino a Lipit-Ištar, o Rei da Justiça, que é considerado o mais antigo exemplo de notação musical sobrevivente até ao nosso tempo.
Todos os instrumentos utilizados nos discos são originais (o par de címbalos krotala, por exemplo) ou cópias de instrumentos antigos, construídos principalmente pelos executantes, a partir de representações iconográficas, nomeadamente a lira, cítara, pandoura, salpinx, trichordon, aulos, psithyra, sistro, monokalamos, siringe e tympanon.”
(25) Harp Piece II (6th c. BC) EGYPTIAN MUSIC (2:02)
(01) Musical Excerpts (2th c. AD) GREEK MUSIC FROM EGYPT (3:02)
(11) A Zaluzi to the Gods (c. 1225 BC) SUMERO-BABYLONIAN (3:49)
(15) Dramatic lament on Ajax's suicide (late 2nd c. AD) (4:26)
(02) Hymn to the Sun, Mesomedes (2nd c. AD) (2:45)
(17) Christian hymn (3rd c. AD) (Oxyrhynchus 1786) (2:27)

11. Natacha Atlas (Bélgica/Marrocos) / Sarband (Bulgária/ Alemanha/ Turquia/ Líbano)

Encantos da Alma (20/02/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Natacha Atlas (Bélgica/Marrocos)
“Filha de mãe inglesa e pai egípcio, Natacha Atlas nasceu na Bélgica e tem também raízes familiares que se estendem à Palestina e a Marrocos. Até aos oito anos, viveu no bairro muçulmano de Bruxelas até que a sua mãe, entretanto divorciada, decidiu mudar-se com os filhos para Inglaterra. A partir dos dezasseis anos, Natacha começou a envolver-se em pequenos projectos musicais e a viajar pela Turquia e Grécia, países nos quais trabalhou como dançarina do ventre. A partir de 1993, integra os TransGlobal Underground e em 1997 enceta uma carreira a solo, misturando sonoridades do Médio Oriente e Norte de África com a música electrónica.
Paulatinamente, Natacha Atlas foi-se afirmando como das maiores vozes do nosso tempo e actualmente é um dos poucos exemplos vivos capazes de materializar o mais puro conceito de “World Music”, no qual o “mundo” não é apenas um destino de turismo exótico, mas o local de súbito e simultâneo encontro de culturas planetárias de todos os tempos e lugares. Isto é, a conjugação musical dos cinco continentes no passado, presente e futuro. Rock, jazz, reggae, dub, ambient, trance “samples” de geografia variável geraram a matéria de um sexto continente virtual: Nos TransGlobal Underground, nas participações ocasionais em álbuns dos Invaders of the Heart ou em “Deep Travel” do nosso Carlos Maria Trindade, na parceria com o Marc Eagleton Project - “Foretold in the Language of Dreams” (2002) - ou, ainda, a solo nos oito discos que editou – “Diaspora” (1995), “Halim” (1997), “Gedida” (1999), “Ayeshteni” (2001), “Something Dangerous” (2003), “Mish Maoul” (2006), “Ana Hina” (2008) e “Mounqaliba” (2010).”
(09) La Lil Khowf (5:30) “Mish Maoul”
(06) Duden (6:40) “Diaspora”
(06) Simun (10:05) “Foretold in the Language of Dreams”

2ª Hora: Sarband (Alemanha/Bulgária/Turquia/Líbano)
“O Ensemble Sarband, termo encontrado num manuscrito sírio do século XIV para referir a ligação de duas partes não englobadas numa suite musical, foi fundado pelo búlgaro Vladimir Ivanoff, o mesmo que já havia inventado o conceito de música electrónica medieval, nos Vox. Constituídos em 1986 com a intenção de mostrar, através da recolha e de concertos, a relação existente entre a música europeia medieval e as culturas musicais do Islão, os Sarband têm no seu seio músicos turcos, italianos, libaneses e alemães, entre outras nacionalidades, e utilizam uma instrumentação tipicamente medieval, nomeadamente a “vielle” (violino arcaico), a sanfona, o “shawn” (antepassado da bombarda), o saltério, a gaita-de-foles e o órgão.
O multifacetado repertório dos Sarband compreende música oriental e ocidental da Idade Média (música judaica, cristã e muçulmana), bem como música barroca e contemporânea. Têm editados, até à data 16 discos, dos quais se salientam “Music of the Emperors” (1992), “Llibre Vermell” (1994), “Sephardic Songs” (1995), “Sepharad” 1996), “Fallen Women” (1998), “Danse Gothique” (2000), “Alla Turca: Oriental Obsession” (2001), “The Arabian Passion According to J.S. Bach” (2009) e “Satie en Orient” (2011).”
(01) Alyâwm (5:05) “Fallen Women”
(02) Chansom Mediévale (5:30) “Danse Gothique”
(09) Una tarde de Verano (8:17) “Sephardic Songs”
(13) Cuncti Simus Concanentes (5:49) “Llibre Vermell”

domingo, 28 de agosto de 2011

10. Bako Dagnon (Mali) / Theatrum Instrumentorum (Itália/Jugoslávia)

Encantos da Alma (06/02/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Bako Dagnon (Mali)
“Bako Dagnon, uma das grandes figuras da música tradicional do Mali, segundo o jornal “L'Essor Bamako”, faz parte de uma geração de proeminentes griots do oeste africano. Nascida na região de Kita, em 1948, Bako Dagnon começou a cantar desde criança, para acompanhar a mãe em cerimónias, nomeadamente em baptizados e casamentos. Sendo uma griot, Bako foi educada no sentido de estudar a genealogia e a história do Mali, recuando ao império Mandinga do século XIII, a fim de perpetuar o grande passado do seu país.
Em 1974, Bako Dagnon integrou o Ensemble Instrumental do Mali, onde permaneceu 10 anos e ajudou a desenvolver e a promover a música tradicional do país. Em nome próprio, produziu cinco cassetes, mas a sua importância para a música do Mali vai além disso. O seu conhecimento enciclopédico das línguas, das tradições e da história do país era sobejamente conhecido e até o célebre Ali Farka Touré a consultou e recorreu aos seus ensinamentos, por diversas ocasiões.
Depois de ter colaborado com Mamani Keita & Marc Minelli e participado no segundo volume do projecto “Mandekalou”, Bako Dagnon publicou os registos “Titati” (2007) e “Sidiba” (2009), álbuns com uma curiosa mistura de canções antigas com arranjos modernos, que descrevem as realidades da vida maliana, celebram a beleza da mulher e defendem a importância da verdade.”
(06) Bounteni (4:55) “Titati”
(10) Fadeen Tô (6:17) “Sidiba”
(07) Titati (5:51) “Titati”
(08) Alpha Yaya (6:17) “Sidiba”

2ª Hora: Theatrum Instrumentorum (Itália/Jugoslávia)
“É sobretudo sobre as produções poéticas e musicais da Baixa Idade Média ao Barroco, que se move a acção do Ensemble Theatrum Instrumentorum, fundado pelo jugoslavo Aleksandar Sasha Karlic, em Milão (Itália) em 1984 e composto por músicos que se especializaram em realizar simultaneamente repertórios sagrados e profanos.
A recuperação dos repertórios antigos pelos elementos dos Theatrum Instrumentorum é o resultado de uma investigação cuidada em fontes musicais, na literatura e na história das épocas medieval e renascentista. A recolha musical abrange uma vasta gama de diferentes tradições musicais e a interpretação tem em conta, o mais possível, uma fidelidade à tradição, uma vez que o Ensemble assegura que são preservados os sons e estilos originais do período que abarcam.
De entre a discografia dos Theatrum Instrumentorum salientam-se “Llibre Vermell de Montserrat” (1997), uma miscelânea religiosa copiada na sua maior parte, por um só indivíduo, durante a última década do séc. XIV, que felizmente inclui um cancioneiro musical; “Carmina Burana” (1998), uma colectânea de 1230 de canções encontradas no Mosteiro beneditino de Benetiktbeuren (Burana), que continha poesia trovadoresca sobretudo de temática profana; e “Cantigas de Santa Maria” (1999), uma colecção de 426 obras dedicadas à Virgem, compostas na segunda metade do século XIII, por volta de 1250-80, sob a direcção do então rei de Castela, Afonso X, o Sábio (1221-1284).”
(03) Stella splendens (7:37) “Llibre Vermell de Montserrat”
(02) Ecce torpet probitas CB3 / De la à la rivière (6:55) “Carmina Burana”
(08) A Madre de Jhesu Christo / Pois que dos Reis (9:55) “Cantigas de Santa Maria”

09. Savina Yannatou (Grécia) / Begoña Olavide (Espanha)

Encantos da Alma (30/01/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Savina Yannatou (Grécia)
“Savina Yannatou é uma extraordinária cantora grega, originária de Atenas, expoente das músicas do Mediterrâneo e que já actuou em Portugal por diversas ocasiões. Iniciou a sua carreira musical em 1979 e, desde 1993 tem encetado com o grupo “Primavera en Salonico”, um caminho comum que os coloca na vanguarda do panorama das “Músicas do Mundo” actuais.
No seu belíssimo canto, Savina alia a sensualidade da música tradicional da Grécia com a expressividade típica do “rembetiko”, o “blues grego” como já foi apelidado, tão profundo como o fado, marcado pelo oriente muçulmano, pelas várias tonalidades das diversas culturas mediterrânicas e pela espiritualidade dos judeus sefarditas expulsos da Península Ibérica no séc. XVI quenínsula Ibérica no séc. XVI que, encontraram refúgio em Salónica.
Da vasta discografia de Savina Yannatou destacam-se “Traditional Lullabies” (em parceria com Nikos Kypourgos) (1985), “Sephardic folk songs” (1995), “Songs of the Mediterranean” (1998), “Terra Nostra” (2003), “Sumiglia” (2005) e “Songs of an Other” (2007). Neles, Savina interpreta canções de embalar, romances sefarditas e temas tradicionais da Grécia e de praticamente todos os países banhados pelo Mediterrâneo. Celebrando as diferenças entre as várias tradições e as similaridades que partilham, Savina Yannatou percorre os vários imaginários do sul, com a expressividade, a sensibilidade e o rigor de quem nele mergulhou o corpo e a alma.”
(12) Koimatai (2:20) “Traditional Lullabies”
(02) El sueño de la hija del rey (4:50) “Sephardic folk songs”
(10) Smyrnaean air (3:10) “Songs of the Mediterranean”
(09) Schubho Lhaw Qolo (3:31) “Terra Nostra”
(11) Ganchum em yar ari (3:08) “Sumiglia”
(01) Sareri Hovin Mernem (5:38) “Songs of an Other”




2ª Hora: Begoña Olavide (Espanha)
“A espanhola Begoña Olavide possui o título superior de flauta no Conservatório de Madrid e especializou-se na interpretação do saltério, trabalhando com o alaúdista Carlos Paniagua na recuperação dos diferentes modelos da família deste instrumento. Realizou, ainda, cursos de especialização na Holanda, Jugoslávia e Espanha e aprofundou em Marrocos os conhecimentos de canto, qanoun e teoria da música árabo-andalusa.
Ao longo da sua carreira musical, Begoña Olavide, tem-se destacado na interpretação de uma música de fusão dos dois estilos mais importantes da Espanha medieval, o cristão e o muçulmano. Apesar de actuar a solo, Begoña tornou-se conhecida por ter fundado os grupos Calamus e Mudéjar e por ter colaborado com o guitarrista jugoslavo Dusan Bogdanovic, a cantora Montserrat Figueras e os grupos de música antiga Micrologus (Itália), Alla Francesca (França) e La Capella Reial de Catalunya (Espanha). Actualmente Begoña Olavide integra o grupo Hespèrion XXI, dirigido por Jordi Savall.
Da sua discografia, salientam-se os registos “Mudéjar” (1997), “Cartas al Rey Moro” (1998) e “Toques en el Tiempo” (2001), álbuns que revelam o fascínio de Begoña pelas raízes árabes existentes na música medieval e renascentista da sua Espanha natal.”
(03) Los sospiros no sosiegan (7:13) “Cartas al Rey Moro”
(01) Paseabase el Rey Moro (5:31) “Mudéjar”
(08) Con que la lavaré (5:33) “Mudéjar”
(01) Yul yul (3:30) “Toques en el Tiempo”

08. Warsaw Village Band (Polónia) / Yasmin Levy (Israel)


Encantos da Alma (23/01/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Warsaw Village Band (Polónia)
“O grupo polaco Warsaw Village Band, constituído em 1997 por seis jovens músicos que descobriram a magia dos antigos instrumentos e dos antigos estilos vocais, produz um tipo de música a que chamam "hardcore folk", uma espécie de bio-techno no estilo "Voz Branca", um canto em forma de grito, usado no passado pelos pastores polacos. Instrumentos de cordas a soar como trombetas francesas, tambores furiosos, trance, improvisação e elementos da música das raízes são utilizados com entusiasmo e paixão pelos músicos que adoram viajar pela Polónia e pelo mundo para transmitir à sua própria geração os estilos musicais dos antigos. De entre os instrumentos tradicionais que utilizam, saliente-se a quase extinta "Suka", um tipo único de rabeca polaca do séc. XVI, tocada com as unhas. De realçar, ainda, na Warsaw Village Band, a criação de ritmos a partir de dois tambores, o que é muito pouco comum em qualquer tipo de música folk.
Para além da remix “Upmixing” (Jaro 2008) e do disco ao vivo “Live” (Jaro 2010), a Warsaw Village Band editou, até à data, quatro registos em estúdio: "Hopsasa Classic Polo", (Kamahuk 1998 / Jaro 2005), considerado o álbum folk do ano pelos ouvintes da Radio 3 Polaca e pela Revista Brum; "People's Spring" (Jaro 2001), um álbum extraordinário, vencedor do "BBC World Music Award"; "Uprooting” (2004 Jaro), o melhor álbum folk polaco do ano; e “Infinity” (Jaro 2008), em que o grupo, pela primeira vez, apresenta composições não tradicionais.”
(13) Lament (2:30) "Uprooting”
(01) Przyjdz Jasienku (1:24) "Hopsasa Classic Polo"
(02) 1.5 h (6:21) “Infinity”
(03) At my mother’s (4:16) "People's Spring"
(13) Maydów (4:42) "People's Spring"




2ª Hora: Yasmin Levy (Israel)
“A israelita Yasmin Levy, “uma das melhores cantoras do Médio Oriente”, segundo o The Guardian, depois de ter estado em Julho de 2010 em Sines, regressa a Portugal, nos próximos dias 26 e 29 de Janeiro, para actuar na Casa da Música (Porto) e no Grande Auditório da Gulbenkian (Lisboa).
Nascida em Jerusalém (1975), filha de um profundo conhecedor do repertório da tradição ladina, Yasmin dá nova vida a letras muito antigas, provenientes dos bairros judeus habitados pelos descendentes dos exilados de Portugal e Espanha no século XVI. Cantando em ladino, espanhol, hebraico, árabe e turco, Yasmin utiliza a música dos judeus sefarditas da Península Ibérica como base das suas canções e mistura-a com o flamenco (que viria a estudar em Sevilha, onde residiu durante algum tempo). Com a sua voz profunda e espiritual, Yasmin Levy entrelaça a pureza e o romantismo da música ladina com a paixão e a sensualidade do flamenco e serve-se, ainda, das influências do Oriente e dos Balcãs. Revela, assim, um singularíssimo estilo emotivo e nostálgico que veio a merecer a aclamação da crítica internacional, com duas nomeações para os prémios da BBC Radio 3.
Até à data, Yasmin Levy editou quatro registos: “Romance & Yasmin” (2004), “La Judería” (2005), “Mano Suave” (2007) e “Sentir” (2009).”
(06) Una Pastora (2:01) “Sentir”
(06) Keter (5:38) “La Judería”
(02) Mano Suave (5:26) “Mano Suave”
(07) Una ora en la ventana (4:52) “Romance & Yasmin”
(09) Me estas mirando (3:36) “Romance & Yasmin”