sábado, 3 de setembro de 2011

26. Márta Sebestyén (Hungria) / Jorge Rozemblum/ Eduardo Paniagua (Argentina/ Espanha)

Encantos da Alma (05/06/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Márta Sebestyén (Hungria)
“Reconhecida internacionalmente, Márta Sebestyén é a mais importante cantora da música tradicional da Hungria. Nascida em Budapeste em 1957, Márta cresceu no mundo da música, tendo a sua mãe estudado com o célebre compositor Zoltán Kodály. Ainda em criança, começou a cantar em concertos e na televisão e aos doze anos de idade decidiu dedicar a sua vida à música.
Como solista ou como artista convidada do grupo Muzsikás, Márta Sebestyén editou alguns dos mais representativos discos da música tradicional húngara, como “Muzsikas” (1988), “Blues for Transylvania” (1990), “The Lost Jewish Music of Transylvania” (1993), “Kismet” (1996) ou “Morning Star” (1997). Por outro lado, foi distinguida com um Grammy (1996) pela sua colaboração com o grupo Deep Forest e com um Oscar (1997) pela banda sonora do filme O Paciente Inglês. Recebeu, ainda, outros prémios e distinções, nomeadamente o Prémio Kossuth, atribuído conjuntamente a Márta Sebestyén e aos Muzsikás (1999).”
(03) Három árva (Three Orphans) (4:52) “Muzsikas”
(08) Fuvom Azénekem (I sing my song) (2:11) “Muzsikas”
(08) Imam Sluzhba (The Conscript) (6:03) “Kismet”
(04) Gold, Silver or Love (6:29) “Kismet”

2ª Hora: Jorge Rozemblum/ Eduardo Paniagua (Argentina/Espanha)
“Os sefarditas, isto é, os judeus que viveram na Península Ibérica e que foram expulsos de Espanha em 1492 e de Portugal em 1497 constituíram uma população heterogénea, porque proveniente de vários centros do judaísmo espanhol, cada um possuidor do seu próprio estilo poético e da sua tradição específica. Não existem dados precisos que nos permitam tirar conclusões sobre as tradições musicais subjacentes ao romanceiro judaico-espanhol. Apenas se supõe que a música profana hispano-judaica se assemelhava à dos muçulmanos e cristãos hispânicos.
Ao longo dos cinco séculos de exílio, a cultura judaico-espanhola expôs-se a numerosas influências das terras que atravessaram e das que escolheram para local de acolhimento. Apresenta-se assim como um mosaico onde o sacro coexiste com o profano, os temas judaicos com os temas comuns a toda a humanidade, o oriente com o ocidente, o antigo com o novo. Verdadeiro património, o cancioneiro profano judeo-espanhol foi transmitido de geração em geração sobretudo pelas mulheres no espaço da vida quotidiana e o sacro pelos homens nas sinagogas.
O judeu argentino Jorge Rozemblum, com origem no leste da Europa cantando em yidish, judeo-español e hebraico e tocando pandeiro e Eduardo Paniagua, arquitecto e músico de Madrid, especialista na música medieval espanhola, tocando qanun, flautas, darbuka, tar, tambor, entre outros instrumentos, editaram três registos dedicados à Idade Dourada da herança cultural hispano-judía: “Morada del Corazón” (2003), “Maimónides” (2004) e “Klezmer Sefardi” (2006) ”.
(13) Ketanot pasim (3:32) “Morada del Corazón”
(12) Dios me protegerá (2:16) “Maimónides”
(14) Mi el nistár mipanái (6:29) “Maimónides”
(04) Las Esuegras de agora (3:59) “Klezmer Sefardi”
(09) Descansad en Shabat (2:30) “Morada del Corazón”

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

25. Taffetas (Guiné-Bissau/Suíça) / Synaulia (Itália / Roma Antiga)


Encantos da Alma (29/05/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Taffetas (Guiné-Bissau/Suíça)
“O grupo Taffetas é constituído por três elementos, Marc Liebesking (guitarra acústica) e Christophe Erard (baixo), ambos suíços, e Ibrahima Galissa (kora), da Guiné-Bissau. Impressionado com o talento dos três músicos num concerto, em 2003, em Londres, o produtor Stephane Malca sugeriu a introdução de uma voz à base instrumental dos Taffetas, para alargarem, assim, os horizontes da fascinante fusão global. Foram, então, convidadas três vocalistas: Francesca Cassio (Itália) e, mais tarde, Fatoumata Dembélé (Burkina Faso) e Nana Cissokho (Senegal).
Em 2004, os Taffetas editaram um registo sem título para a Most Records, (reeditado dois anos depois pela Rasa Music com o nome de “Fanta”) e, em 2007, editaram “Cameleon” para a New Healing Sounds.
Baseando-se, sobretudo, nas belíssimas texturas e nos rendilhados da kora, a harpa de 23 cordas da África Ocidental, os Taffetas mergulharam em variadíssimos estilos musicais e em diferentes culturas e encetaram viagens de sonho. Pedaços de jazz, piscadelas às ragas indianas, aproximações aos blues, namoros às mornas e casamentos com a música erudita europeia podem ser ouvidos nos fascinantes discos dos “Taffetas”, infelizmente pouco conhecidos do grande público”.
(01) Fano Keita (7:46)
(02) Saudade do meu amor (8:50)
(05) Fanta (5:05) 




2ª Hora: Synaulia (Itália / Roma Antiga)
“J. E. Scott, no volume dedicado à Antiguidade Clássica do New Oxford History of Music, considera que, embora se não possa dizer que falte material para estudar a música do mundo romano clássico, é também certo que a maior parte se refere mais aos instrumentos musicais que à música propriamente dita. De facto, chegaram até nós iconografias de instrumentos, mas não foram preservadas quaisquer notações musicais que nos ajudem a reconstruir a música da Roma Antiga. Facilmente identificáveis nos documentos dos romanos antigos, para além dos instrumentos de percussão e de sopro, encontram-se instrumentos de cordas, bem como órgãos hidráulicos. Por outro lado, as Tympana, uma espécie de tambores da Roma Antiga, são ainda hoje usadas ao longo do Mediterrâneo e no Médio Oriente.
Ao longo de mais de 20 anos, o italiano Walter Maioli, nos últimos anos juntamente com o grupo Synaulia, dedicou-se à recolha, à música, à dança e ao teatro, usando exclusivamente instrumentos da Roma Antiga. Editou, então, “Music from Ancient Rome, Volume I: Wind Instruments” (1996) e “Music from Ancient Rome, Volume II: Sting Instruments” (2002), ambos para a Amiata Records.
Os Synaulia situam o seu trabalho sobretudo na época imperial, particularmente no tempo do Imperador Adriano (ele próprio um músico e flautista), quando Roma era o centro cosmopolita por excelência, habitada por cantores, dançarinos e músicos, provenientes de todas as partes do império, da Grécia ao Egipto e da Síria à Espanha.”
(07) Imperium (3:34) “Volume I: Wind Instruments”
(02) Ludus (5:10) “Volume II: Sting Instruments”
(05) Symphoniaci (5:50) “Volume II: Sting Instruments”
(05) Magna Mater (2:30) “Volume I: Wind Instruments”
 

24. Rubén Gonzalez (Cuba) / Judith R. Cohen (Canadá)


Encantos da Alma (22/05/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Rubén Gonzalez (Cuba)
“Rubén González (Cuba), uma das estrelas de “Buena Vista Social Club” – o mais aclamado álbum de World Music de sempre - entrou pela primeira vez em estúdio em 1943 para acompanhar Arsenio Rodriguez, pioneiro do son e um dos históricos da música cubana. Foi, no entanto, necessário esperar mais de meio século pela visita de Nick Gold para que se desse a sua estreia como líder em “Introducing… Rubén González”. O veterano pianista, que Ry Cooder definiu como “um cruzamento de Thelonius Monk e Felix the Cat”, não levou mais de dois dias a gravar esse álbum “ao vivo em estúdio”. Previsivelmente o álbum é uma selecção de “standards” cubanos, incluindo o cha cha cha “La engañadora”, o guaracha “Mandinga” e o bolero “Como siento yo”. Rubén retoma-os com uma mestria prodigiosa, soando ao mesmo tempo espontâneo e virtuoso, resumindo a sabedoria de uma vida inteira dedicada à música com a alegria e a fogosidade de um adolescente.
Três anos depois de “Introducing…”, Rubén González, então com 83 anos, editou “Chanchullo”, o seu segundo álbum para a World Circuit, apostando num regresso aos anos de ouro da música cubana. Acompanhado pela chamada “banda da casa” do Buena Vista e por convidados do prestígio de Ibrahim Ferrer, Eliades Ochoa, do senegalês Cheikh Lô, para além dos inevitáveis Ry Cooder e filho, Rubén González voltou a proporcionar momentos de enlevo e de pura magia. Desses dois discos vamos ouvir 2 temas de cada. No entanto, vamos iniciar o destaque com um clássico de “Buena Vista”.
(01) Chan Chan (4:18) “Buena Vista Social Club”
(01) La engañadora (2:32) “Introducing… Rubén González”
(04) Melodía Del Río (4:42) “Introducing… Rubén González”
(08) El Bodeguero (5:09) “Chanchullo”
(05) Quizás, quizás (2:30) “Chanchullo”

2ª Hora: Judith R. Cohen (Canadá)
“Nascida em Montreal (Canadá), Judith Cohen é de origem judia askhenaz, tanto mais que os seus avós eram provenientes da Lituânia e da Rússia. Etnomusicóloga, medievalista, cantora e educadora de renome, Judith tem feito investigações nas áreas da música sefardita, das tradições musicais dos cripto-judeus em Portugal, do adufe/pandeiro quadrado de ambos os lados da fronteira Portugal/Espanha e da música medieval. Tem, igualmente, trabalhado na investigação da música tradicional dos Balcãs, do romanceiro pan-europeu e das canções em yiddish (idioma dos avós).
Até à data, Judith Cohen editou cinco registos: “Dans mon chemin j'ai rencontré", editado no Canadá com Tamar Ilana, um disco com canções tradicionais sobre percursos e encontros; "Dized', ay! Trobadores" (1994, Tecnosaga), dedicado aos trovadores medievais; “Primavera en Salónica” (1999, Tecnosaga), com canções dos Sephardim e dos seus vizinhos; "Empezar quiero contar” (2000, Pneuma), com romances sefarditas, coplas e temas tradicionais portugueses; e “Sefarad en Diáspora” (Pneuma), de novo com a sua filha Tamar Ilana, um registo que, como o próprio nome indica, se debruça sobre a diáspora sefardita e a sua relação com as culturas com que interagiram.”
(15) Landarico (4:35) “Sefarad en Diáspora”
(04) La comida la mañana (2:47) “Sefarad en Diáspora”
(02) Dror Yiqra (7:51) "Empezar quiero contar”
(06) Suite Usküdara (5:30) “Primavera en Salónica”

23. Hedningarna (Suécia) / Speculum (Espanha)

Encantos da Alma (15/05/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Hedningarna (Suécia)
“O grupo Hedningarna, da Suécia, que enquadra duas vocalistas finlandesas (Sanna Kurki-Suonio e Tellu Paulasto), faz uma música que abrange uma geografia vasta de sons e de emoções, que ora apontam para o leste em compassos impossíveis, ora explodem em binários de apelo imediato. Um fogo incontrolável parece possuir estes demónios à solta, responsáveis pela criação de uma nova música tradicional. De uma harpa de granizo às erupções de uma “hardingfele” (rabeca esculpida directamente num tronco de árvore), da pujança da sanfona-baixo inventada por Anders Stake, o multi-instrumentista do quinteto, às vozes de querubin, uma sensação de frescura e de força surge a cada momento, na música dos Hedningarna.
Sem contar com um disco de misturas (“Kruspolska SASHA mixes”, de 1994) e com uma compilação (“1989-2003”, lançada em 2003), os Hedningarna editaram seis discos: “Hedningarna” (1989), “Kaksi!” (1992), “Trä” (1994), “Hippjokk” (1997) e “Karelia Visa” (1999). Todos eles contêm as tradições e os mitos escandinavos, que os Hedningarna, sabiamente souberam recuperar para a actualidade como algo de radicalmente inovador.”
(09) Tuuli (5:37) “Trä”
(10) Skamgreppet (2:54) “Kaksi!”
(11) Grodan/Widergrenen (4:54) “Kaksi!”
(08) Viima (4:59) “Karelia Visa”

2ª Hora: Speculum (Espanha)
“Dirigido por Ernesto Schmied, um especialista em flautas históricas, o grupo espanhol Speculum tem-se dedicado, desde 1996, ano da sua formação, à recuperação da música da Idade Média em diante. Centrando-se, preferencialmente, na Ars Hispanica, os Speculum têm contribuído decisivamente para o conhecimento de um património tão raramente explorado, mas de primordial importância no panorama da música antiga.
Debruçando-se sobre diversos manuscritos europeus, os Speculum encetam um minucioso trabalho de pesquisa e utilizam vozes e instrumentos perfeitos para traçar as linhas da arquitectura musical medieval, renascentista e barroca.
Até à data, os especialistas da Ars Nova espanhola editaram nove registos fundamentais: “Fumeux fume par fumee” (1998), premiado com o prestigioso Choc de Le Monde de la Musique; “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza” (2006), o primeiro disco dedicado integralmente ao Cancioneiro do Escorial; “Cancionero de El Escorial” (2007) uma colaboração dos Speculum com o fantástico contratenor Carlos Mena; “Ars Mediterranea” (2008), um variado repertório musical das diferentes expressões do Mediterrâneo; “O Rosa Bella, Cancionero de El Escorial, Vol. III” (2008); "Live" (2009); “Splendor” (2009), o quarto registo sobre o Cancioneiro do Escorial; “La flor d’açó” (2010), dedicado à música da coroa aragonesa; e “Sospiri” (2010), o volume V dedicado ao impressionante cancioneiro que se alberga na Biblioteca do Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial.”
(03) Los set gotxs (2:24) “La flor d’açó”
(04) Dansa (2:39) “La flor d’açó”
(13) Tre fontane (4:10) “Sospiri”
(13) Amours me fait commencier (4:53) “Ars Mediterranea”
(15) De tous bien playne (4:49) “Splendor”

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

22. Kotchnak (Arménia) / Ensemble Wayal (Holanda/França)

Encantos da Alma (08/05/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Kotchnak (Arménia)
“Os Kotchnak, conhecidos até 1987 como Ensemble de Música Arménia, começaram em 1976 como um duo, tornaram-se num quarteto e, mais tarde, num quinteto. Dedicam a sua existência a interpretar cantos tradicionais arménios, bem como cantos dos achough (trovadores), sobretudo de Sayat Nova, que viveu no século XVIII. Curiosamente nenhum dos elementos dos Kotchnak nasceu na Arménia. Virginia Kerovpyan é de Washington, Anouch Donabédian de Marselha, Rouben Haroutunian de Teerão, Madjid Khaladj de Ghazvin (Irão) e Aram Kerovpyan de Istanbul.
Os Kotchnak começaram por editar “Chants Populaires Arméniens” (1997 Al Sur), um registo com temas folk que expressam a vida das comunidades rurais, nomeadamente as relações quotidianas entre os camponeses e a natureza que os envolve. Editaram depois “Chants de Sayat Nova” (2000 Al Sur), dedicado ao músico e poeta Aruthin, que nasceu em 1722 em Tiflis, a capital da Geórgia, adoptou o título de achough e tomou o nome de Sayat Nova, o “Mestre dos Sons” em persa.”
(05) Belbouli Hit (5:18) “Chants de Sayat Nova”
(01) Yis Kou Ghimeten Tchim Guidi (6:42) “Chants de Sayat Nova”
(02) Mokats sarér (5:53) “Chants Populaires Arméniens”
(08) Gulizari voghpe (4:53) “Chants Populaires Arméniens”

2ª Hora: Ensemble Wayal (Holanda/França)
“O Ensemble Wayal é um trio constituído pela holandesa Nannette Van Zanten, pela andalusa Hayet Ayad (filha de berberes de Kabyla, na Argélia) e pela francesa Nathalie Waller. O trabalho do ensemble incide sobre a música sacra e profana dos séculos XI ao XIV, principalmente sobre as canções dos trovadores da Occitânia, os romances sefarditas e as Cantigas de Santa Maria, da Baixa Idade Média. Debruça-se, ainda, sobre algumas canções tradicionais, nomeadamente da Anatólia, dos Balcãs e do Azerbaijão.
O trabalho do Ensemble Wayal baseia-se numa investigação meticulosa das fontes antigas e na posterior interpretação, fruto do livre fruir da intuição e sensibilidade. Tal como as demais interpretações da música medieval, pode não corresponder exactamente à música que se escutava há nove ou dez séculos atrás, mas o ensemble abre mais uma porta para o conhecimento da fascinante música da Idade Média.
O Ensemble Wayal começou como Duo Wayal (com Nannette Van Zanten e Hayet Ayad) editando nessa fase o registo “Voix de la Mediterrannee Medievale” (1992 Disques du Solstice), com cantigas e romances dos séculos XII e XIII. Evoluiu, depois para trio e editou, nesse período, “Cantigas et Romances” (1995 Disques du Solstice), com cantos de amor e de sabedoria dos séculos XI ao XIV.”
(04) O ke mueve mezes (4:22) “Cantigas et Romances”
(13) A que por nos salvar (4:11) “Cantigas et Romances”
(06) Que por al não deves (2:24) “Cantigas et Romances”
(13) Des oge mais (3:34) “Voix de la Mediterrannee Medievale”
(06) El rey de Francia (3:59) “Voix de la Mediterrannee Medievale”
(17) Como poden (2:59) “Voix de la Mediterrannee Medievale”

21. Djelimady Tounkara (Mali) / New Orleans Musica da Camera (EUA)


Encantos da Alma (01/05/2011)
 Destaques:
1ª Hora: Djelimady Tounkara (Mali)
“Nascido na culturalmente rica cidade de Kita, a oeste de Bamako, a capital do Mali, Djelimady Tounkara cresceu no mundo da música tradicional, uma vez que fazia parte de uma família de griots, trovadores e contadores de histórias. Na juventude, Djelimady aprendera a tocar djembe, tambor e ngoni, um alaúde semelhante ao banjo, mas quando se mudou para Bamako, nos anos 60, Djelimady começou a tocar guitarra numa banda patrocinada pelo governo, a Orchestre Misira, onde se destacou. Daí a enquadrar a prestigiada Orquestra Nacional como guitarrista, uma grande honra para o então jovem, foi um passo.
Na vida adulta, Djelimady Tounkara dedicou-se a transformar as tradições ancestrais do Mali em música pop para dançar. Tornou-se, então guitarrista e líder do mais prestigiado grupo de rock mandinga, a Super Rail Band. Ao mesmo tempo, continuou a trabalhar em contextos mais tradicionais, apoiando os grandes cantores griot do Mali em discos, concertos e cerimónias de baptismo ou casamento.
Depois de ter formado o trio acústico Bajourou, Djelimady Tounkara encetou uma carreira a solo e editou “Sigui” (Label Bleu, 2001) - registo que lhe rendeu o prémio na categoria “Música - África” da “BBC Radio 3” - e “Solon Kôno” (Marabi, 2005).”
(01) Mande Djeliou (5:05) “Sigui”
(01) Fanta Bourama (5:47) “Solon Kôno”
(03) Sigui (5:00) “Sigui”
(02) Ikadigné (4:43) “Solon Kôno”

“New Orleans Musica da Camera é a mais antigo ensemble dedicado à música, ainda activo nos EUA. Fundado em 1966 por Milton Scheuermann, com o objectivo de pesquisar e interpretar a música dos séculos X ao XVI, o grupo tem-se dedicado a tornar a música desse período conhecida dos ouvintes do século XXI. Usando técnicas de performance historicamente documentadas, bem como reproduções de instrumentos da época (muitos deles construídos pelo próprio Scheuermann), o New Orleans Musica da Camera usa, também, as suas próprias transcrições musicais a partir das fontes manuscritas originais. Em 1994, o New Orleans passou a enquadrar a Vox Feminæ, um ensemble vocal feminino fundado por Thaïs St. Julien, que se focaliza em canções medievais e em canto, com interesse especial para ou acerca das mulheres.
Musica da Camera tem sido galardoado com variadíssimos prémios, ao longo dos anos, quer em New Orleans, quer nos EUA. Até à data, editou para a Centaur Records, cinco registos: “Satires, Desires & Excesses” (com cantigas do manuscrito Carmina Burana, do século XIII); “Natus Est” (com temas sobre as celebrações do Natal); “The Cross of Red” (com temas de amor e de guerra do tempo dos Cruzados); “Maiden, Mother, Muse” (sobre as mulheres das Cantigas de Afonso X); e “Les Motéts d'Arras” (dedicado às cantigas de Arras).”
(02) Quena Virgen bem servir (5:40) “Maiden, Mother, Muse”
(14) Saltarello (2:04) “The Cross of Red”
(15) Muito deveria (0:39-6:28) “Maiden, Mother, Muse”
(01) Dum Pater Familias (5:22) “The Cross of Red”

20. Anghjula Potentini (Córsega) / Ensemble Oni Wytars (Itália/ Alemanha/ Áustria/ Inglaterra/ Espanha/ Grécia)

Encantos da Alma (24/04/2011)
 Destaques:
2ª Hora: Anghjula Potentini (Córsega)
“Depois de um período de esquecimento e relativa decadência, o canto corso da tradição oral revigorou-se para atingir, no presente, uma indubitável expressividade e significado culturais. O dinâmico movimento de revivificação conseguiu levar de novo para as igrejas da Córsega as magníficas polifonias religiosas e, nos bistrots e alpendres, passou de novo a ouvir-se a paghjelle, a resposta profana às polifonias litúrgicas.
Do novo fôlego do canto corso faz indubitavelmente parte a extraordinária voz de Anghjula Potentini que, acompanhada por músicos talentosos, interpreta o repertório popular da Córsega com respeito, talento e criatividade.
Nos discos que editou para a Buda Musique (“A lettera d’amore” e “Fiara”), Anghjula Potentini fala de coisas simples como a esperança, os amores, as flores e os campos. E o canto de Anghjula, gerado pela terra inóspita, é a representação mais rude e bela que se pode fazer da voz dos anjos. Uma voz intemporal que atravessa a alma e tanto cria torrentes de evocação como o mais completo desejo de alegria tranquila.”
(02) Amore speratu (4:26) “Fiara”
(04) Di veru è di Passione (4:56) “Fiara”
(13) Dio vi salvi Regina (2:50) “A lettera d’amore”
(04) Francesca Maria (4:26) “A lettera d’amore”
(06) Minicola (3:14) “A lettera d’amore”

2ª Hora: Ensemble Oni Wytars (Itália/ Alemanha/ Áustria/ Inglaterra/ Espanha/ Grécia)
“Oni Wytars é um ensemble de renome internacional que se dedica à Música Antiga, sobretudo da Idade Média e do Renascimento, bem como à música clássica e tradicional turca e árabe. Fundado em 1983 por cinco elementos oriundos da Áustria, Itália, Alemanha, Turquia e EUA, o ensemble Oni Wytars tem abarcado no seu seio, ao longo dos anos, diversos instrumentistas e cantores provenientes de outras origens como a Inglaterra, Irão, Espanha e Grécia.
O trabalho dos Oni Wytars tem-se baseado essencialmente na tarefa de unir as muitas tradições que influenciaram e enriqueceram a cultura musical europeia ao longo dos séculos. O estabelecimento de pontes entre o antigo e o moderno e entre o Oriente e o Ocidente tem sido, assim, o principal objectivo do grupo, desde a sua fundação.
Liderado pelo italiano Marco Ambrosini, especialista na nyckelharpa e na pochette, o ensemble Oni Wytars utiliza variadíssimos instrumentos europeus da Idade Média e do Renascimento, bem como instrumentos folk do Médio Oriente e do mundo árabe. Contando actualmente com doze instrumentistas, os Oni Wytars editaram, até à data, onze registos, o último dos quais a obra-prima “Mediterraneum” de 2010 (Deutschlandradio /Sony Music). “
(11) Procurans odium (5:30) “Carmina Burana”