domingo, 24 de junho de 2012

66. Bombino (Níger) / La Reverdie (Itália)


Encantos da Alma (24/06/2012)
1.ª hora: Bombino (Níger)
“Omara “Bombino” Moctar nasceu em 1980 numa família de pastores nómadas tuaregues da zona de Agadez, no Níger, uma das regiões mais pobres de África e, nas últimas duas décadas, palco das lutas independentistas dos tuaregues. Nos anos 90, durante uma dessas rebeliões, a família de Bombino exilou-se na Argélia, onde aprendeu a tocar guitarra, influenciado por músicos como Ali Farka Touré e Jimi Hendrix, tornando-se num exímio guitarrista e numa voz para o seu povo no Sahara e no Sahel.
A carreira de Bombino começara como cozinheiro e trovador, viajando com turistas que visitavam as dunas perto de Agadez. Em 1998, integrou o grupo Tidawt e, em 2004, estreou-se em disco com “Agamgam”; em 2009 saiu “Guitars from Agadez (Music of Niger), Vol. 2” e em 2011 “Agadez”, o registo aqui em destaque, uma fusão de blues, rock e tradição tuaregue que o coloca a par de bandas como Tinariwen, Terakraft, Tamikrest ou Tartit na vanguarda da nova música do deserto.
Bombino centra-se as suas letras na repressão de que os Tuaregues são vítimas nas atuais sociedades do Magrebe, na luta pela autodeterminação do povo nómada e na importância do deserto, um lugar fundamental para os Tuaregues. Por outro lado, faz com que a música norte-africana das regiões próximas do Sahara pareça saída de um outro planeta, ao adorná-la com guitarras galopantes e uma voz hipnótica e ao injetá-la de blues, psicadelismo e acid-rock.”
(10) Tebsakh Dalet (5:09) “Agadez”
(05) Tigrawahi Tikma (5:18) “Agadez”
(01) Ahoulaguine Akaline (4:05) “Agadez”
(02) Tar Hani (6:31) “Agadez”

2ª Hora: La Reverdie (Itália)
“Inspirando-se nas reverdie - romances líricos dos séculos XII e XIII que celebravam o retorno da Primavera - o agrupamento La Reverdie foi fundado em 1986, em Itália, por dois pares de irmãs (Claudia e Livia Caffagni, de Modena e Elisabetta e Ella de Mircovich, oriundas de Trieste). O quarteto resolveu unir as suas diversas experiências como cantoras e instrumentistas e fundar um ensemble, com o objetivo de recrear o repertório musical europeu da Alta Idade Média e da transição para o Renascimento. O núcleo inicial das Reverdie foi, entretanto, alargado a outros músicos, nomeadamente ao norte-americano Doron David Sherwin, casado com Livia Caffagni, e um dos maiores especialistas de corneto (instrumento de sopro renascentista), bem como um versátil percussionista e cantor.
Um dos mais fascinantes e imaginativos projetos em torno da música medieval surgido nas últimas décadas, La Reverdie tem feito um estudo filológico minucioso e apaixonado, através do qual desenvolve os seus programas, sempre focalizados em temas de intenso valor cultural e simbólico. Uma particular atenção é dedicada ao vasto e ainda pouco explorado domínio do “teatro sacro”: dramas litúrgicos e liturgia dramática, representações coletivas e manifestações evocativas da religiosidade de uma época cujos ecos não se extinguiram ainda. Ao reconstruir com apaixonada fidelidade os seus achados arqueológicos, La Reverdie pretende e consegue que o público os possa percecionar, enquanto fragmentos vivos de uma cultura transcorrida mas não perdida.
Entre as gravações discográficas mais importantes de La Reverdie, destacam-se as realizadas para a etiquetas Nuova Era e Giulia e, a partir de 1993, para a editora ARCANA, em co-produção com a WDR (Westdeutscher Rundfunk). A maior parte dos seus registos obtiveram a aclamação das principais revistas da especialidade, designadamente das revistas francesas Repértoire e Diapason. Da cerca de dezena e meia de discos editados, destacam-se, por exemplo, “Speculum Amoris” (1993), “Laude di Sancta Maria” (1994), “Suso in Italia bella” (1995), “Insula feminarum” (1997), “Nox-Lux-France & Angleterre, 1200-1300” (2001), “Jacopo da Bologna: madrigali e cacce” (2005) ou “Carmina Burana – Sacri Sarcasmi” (2009).”
(05) Pange melos lacrimosum (4:00) “Nox-Lux”
(05) Voi ch’amate (5:10) “Laude di Sancta Maria” 
(--) Stela Splendens (3:59)

domingo, 17 de junho de 2012

65. Antwerp Gipsy-Ska Orkestra - (Bélgica/…) / Dozan (Jordânia/…)

Encantos da Alma (17/06/2012)
1.ª hora: Antwerp Gipsy-Ska Orkestra - (Bélgica/…)
““Com músicos provenientes da Bélgica, Sérvia, Chile e Argentina, os Antwerp Gipsy-Ska Orkestra identificam-se como uma família intercontinental e o som que praticam pode classificar-se como Upbeat-Ska-Balkan. A sua abordagem musical é cativante e exclusiva, misturando o drum n’ bass, o samba e o dubstep com os beats dos Balcãs, aos quais acrescentam pinceladas de ska rápido com incursões ao hip hop. O resultado de tanta multiculturalidade é uma fusão perfeita de ambientes, à qual é impossível ficar indiferente.
A energia contagiante e a sua miscelânea de encontros musicais têm levado os Antwerp Gipsy-Ska Orkestra a marcar presença na generalidade dos grandes festivais europeus de world music. Em Maio deste ano (2012), os portugueses tiveram a oportunidade de os ver e ouvir no Rock in Rio Lisboa e no conceituado Imagiarius, em Santa Maria da Feira.
Até à data, os Antwerp Gipsy-Ska Orkestra têm dois álbuns editados, “Tuttilegal” (2007) e “I Lumia Mo Kher” (2010), registos onde são notórios os cruzamentos entre os vários estilos musicais, a faceta aventureira do grupo e uma abordagem inovadora. Contando, no segundo registo, com a participação do sérvio Marko Markovic, o rei do trompete, da insuspeita Kočani Orkestar, ou fazendo uma homenagem a Saban Bajramovic, o Frank Sinatra dos Roms, os Antwerp Gipsy-Ska Orkestra revelam-se como uma das bandas mais entusiasmantes no momento.”
(05) DJelem DJelem (5:12) “Tuttilegal”
(08) Te Laat (4:02) “I Lumia Mo Kher”
(04) Tuttilegal (4:08) “Tuttilegal”
(02) No Disco Boy (3:30) “I Lumia Mo Kher”
(05) Ne Dirai (2:30) “I Lumia Mo Kher”

2ª Hora: Dozan (Jordânia/…)
“Os Dozan começaram quando a vocalista Shireen Abu-Khader criou um fascinante veículo para o desenvolvimento da música devocional com base no Próximo Oriente e nas tradições medievais. Natural da Jordânia, Shireen soube rodear-se de extraordinários músicos de diversas origens culturais e dedicou-se a celebrar a beleza, o amor, a dissonância perfeita e os ritmos apaixonantes.
Embora cerca de metade das composições dos Dozan sejam atribuídas a membros do grupo, o som baseia-se na tradição de influência Sufi, na música clássica árabe e em canções árabo-andalusas da Idade Média. O que torna os Dozan inovadores é a utilização simultânea de instrumentação ocidental e oriental, uma vez que usam o violoncelo, viola e a guitarra, ao lado do oud e de percussões do Médio Oriente.
Um pouco à semelhança dos Stellamara, já aqui destacados, os Dozan são um grupo de música de câmara que oferece um novo olhar sobre a música popular do Oriente. Em “Introducing Dozan” (World Music Network, 2008), o único álbum que editaram até à data, desfilam oito temas soberbos, em que as vozes cristalinas das encantadoras Shireen Abu-Khader e Nadine Shahuan, bem como a de Rashwan Sabbagh, e a musicalidade de toda a banda que os acompanham brilham, de forma exuberante. Ouvir os Dozan é como passar por uma nova experiência de fábulas místicas medievais, de misteriosas e profundas vozes orientais, de ritmos provenientes de recônditos paraísos e de ondas expansivas de sons que enlevam os sentidos.”
(01) Lamma Bada Yatathanna (3:24)
(02) Ya Jarati (4:41)
(05) Ya Layl (3:31)
(03) Ya Mo (3:27)
(07) Hal Asmar Allon (6:03)

domingo, 10 de junho de 2012

64. Cumbia Cumbia (Colômbia) / Montserrat Figueras (Catalunha)

Encantos da Alma (10/06/2012)
1.ª hora: Cumbia Cumbia (Colômbia)
“A cumbia é uma das expressões melódicas mais representativas da Colômbia. Nela confluem três culturas: a negra africana, a indígena e a europeia. A negra ofereceu o ritmo dos tambores e os movimentos sensuais, marcadamente sedutores; a indígena a flauta de bambu e as gaitas, elementos fundamentais na melodia; a europeia contribui com algumas variações nas melodias, na coreografia e nos trajes dos dançarinos.
A origem da cumbia remonta à época da escravidão e deriva da palavra negra “cumbé”, que significa festa e que representa um ritmo e dança da zona de Mbata, na Guiné Equatorial. Deriva, ainda, de “caracumbé”, um jogo coreográfico que teve o seu apogeu no estado de Antioquia, quando os negros trabalhavam nas minas; deriva, também, de “para-cumbé”, uma dança desaparecida; e, finalmente, de “cumbancha”, que em Cuba significa Jogorio ou Parranda.
A World Circuit Records lançou em Abril deste ano (2012) um duplo CD (bem como uma edição limitada em duplo LP) intitulado “Cumbia Cumbia 1 & 2”. A coleção apresenta trinta faixas gravadas no lendário estúdio colombiano Discos Fuentes, entre 1950 e 1988, anteriormente editadas em dois volumes, em 1989 e 1994, respetivamente.”
(02) Gabriel Romero – La Subienda (4:32) “CD One”
(01) Rodolfo Y Su Tipica RA7 – La Colegiala (3:40) “CD One”
(03) Armando Hernandez Y Su Conjunto – La Zenaida (4:28) “CD One”
(04) Adolfo Echeverría Y Su Conjunto - Amaneciento (3:50) “CD One”
(09) Los Immortales – La Pollera Colora (3:05) “CD One”
(10) Lito Barrientos – Cumbia En Do Menor (2:44) “CD Two”

2ª Hora: Montserrat Figueras (Catalunha)
“Falecida em novembro de 2011, a soprano Montserrat Figueras nasceu em Barcelona numa família de melómanos, tendo casado com o músico e maestro Jordi Savall. Dedicando grande parte da sua carreira à música antiga, desde cedo, Montserrat dedicou-se ao estudo das técnicas vocais de canto, desde os trovadores à música barroca, e desenvolveu um estilo de interpretação que alia vitalidade à fidelidade histórica. Juntou-se ao grupo de música antiga Ars Musicae de Barcelona, com o qual interpretou obras dos mais importantes compositores espanhóis do século XVI e, com o marido, fundou o coro La Capella Reial de Catalunya, a orquestra Le Concert des Nations, o agrupamento Hespèrion XXI e a editora Alia Vox.
Montserrat Figueras obteve, ao longo da carreira, vários prémios. Em 2003, recebeu o título de dama da Ordem das Artes e das Letras de Espanha e, cinco anos mais tarde, a soprano espanhola e Jordi Savall foram eleitos “artistas pela paz”, pela UNESCO. Recebeu, ainda, entre outros, o Edison Klassiek, o Grand Prix da Académie Charles Cros, um Grammy pelo livro-CD Dinastía Borgia e, em 2011, a Cruz de São Jorge, da Generalitat de Catalunya.
Durante a sua carreira artística, Montserrat Figueras gravou mais de 60 CDs. No último disco que editou em vida, “Cançons de la Catalunya mil-lenária”, contou com a presença dos filhos Arianna e Ferran Savall e dos músicos sempre presentes nas formações criadas por si e por Jordi Savall, o harpista Andrew Lawrence-King, o flautista Pedro Memelsdorff, o guitarrista Rolf Lislevand e o cravista Rinaldo Alessandrini. Em Março deste ano (2012), foi editado o luxuoso registo duplo “La voix de l'émotion”, uma retrospetiva da sua carreira, brilhantemente documentada, entre outros, pelo musicólogo português Rui Vieira Nery.”
(03) A chanter m’er de so (Comtessa de Dia) (6:53) “La voix de l’émotion” (CD2)
(05) Berceuse Amazigh (Anon. Berbère) (2:32) “Ninna Nanna”
(09) Apo xeno meros (Traditionnelle grecque) (2:57) “Du temps & de l’instant”
(26) Ghazali (en Arabe, Grec & Hébreu) (3:03) “Jérusalem” (CD2)

domingo, 3 de junho de 2012

63. Hadja Kouyaté (Guiné-Conakri) / Ensemble Harel (Israel/…)


Encantos da Alma (03/06/2012)
 1.ª hora: Hadja Kouyaté (Guiné-Conakri)
“Hadja Kouyaté nasceu no sul da Guiné-Conakry, onde começou a carreira de cantora, seguindo os passos da mãe, a conhecida Diéfadima Kanté. O seu trabalho insere-se na tradição dos griots, os trovadores da costa ocidental africana e transmissores dos saberes e das crenças, que passam de geração em geração, unindo o passado ao presente e sustentando uma unidade de representação espiritual e divina.
Hadja Kouyaté começou a sua atividade artística aos cinco anos e passou muito tempo a viajar de localidade em localidade para fazer cerimónias de batismos, casamentos e circuncisões, entre outras. Hoje, Hadja Kouyaté é conhecida como uma das raras e mais representativas griots que defendem a ideia de uma cultura tradicional forte e rural em sintonia com o mundo atual.
A música de Hadja Kouyaté mistura rituais sagrados e uma atmosfera pagã e rapidamente adquiriu notoriedade tanto no seu país de origem como no cenário internacional. Conhecida como o “Anjo vocal da Guiné-Conakry”, Hadja Kouyaté começou por participar como corista em álbuns dos consagrados Sekouba Bambino, Kandia Kouyate, Salif Keita e do marido Amadou Sodia, entre outros, e atuou ao lado de Frédéric Galliano no emblemático “African Divas”. Em pouco tempo, transformou-se numa referência da música da costa oeste de África e numa autêntica “besta do palco”, tal a sensualidade e energia com que se entrega nos concertos ao vivo. Até à data, editou, em nome próprio, os registos “Manding-Ko” (2001, Frikyiwa), acompanhada pelo senegalês Ali Boulo Santo, “Tomassere” (2003, Syllart), “Yilimalo” (2004, Frikyiwa), com o grupo Les Guinéens, “Senfou” (2006, RSD Records) e “Tourou Tourou” (2011, Walla Prod Ideal Songs Groovin Musik).”
(01) Djigui (5:05) (instrumental) “Manding-Ko”
(02) Agné Tolona (5:34) “Manding-Ko”
(09) Diarabi (chérie) (5:04) “Yilimalo”
(02) Tourou Tourou (3:00) “Tourou Tourou”
(04) Sitan Diarra (5:05) “Tomassere”

2ª Hora: Ensemble Harel (Israel/…)
“Os judeus que viveram na Península Ibérica e que foram expulsos de Espanha em 1492 e de Portugal em 1497 constituíram uma população heterogénea, porque proveniente de vários centros do judaísmo peninsular, cada um possuidor do seu próprio estilo poético e da sua tradição específica. Enquanto as cantigas de Santa Maria e coleções análogas forneciam informações sobre a tradição musical da Península, apenas se supõe que a música profana hispano-judaica se assemelhava à dos muçulmanos e cristãos hispânicos. Não existem dados precisos que nos permitam tirar conclusões sobre as tradições musicais subjacentes ao romanceiro judaico-espanhol.
Ao longo dos cinco séculos de exílio, a cultura judaico-espanhola expôs-se a numerosas influências das terras que atravessaram e das que escolheram para local de acolhimento. A música judaico-espanhola apresenta-se, assim, como um mosaico onde o sacro coexiste com o profano, os temas judaicos com os temas comuns a toda a humanidade, o oriente com o ocidente, o antigo com o novo. Verdadeiro património, o cancioneiro profano judeo-espanhol foi transmitido de geração em geração sobretudo pelas mulheres no espaço da vida quotidiana e o sacro pelos homens nas sinagogas.
É sobretudo sobre o repertório judaico-espanhol que o registo “Yedid Nefesh - Amant de mon âme” (2004 Alpha) do Ensemble Harel se debruça. Formado por Meirav Ben David-Harel (voz, percussão e chifonie), Yaïr Harel (voz e percussão), Nima Ben David (viola da gamba) e Michèle Claude (percussões), músicos originários de Israel e da França, cujos avós (provenientes do Iraque, Kurdistão, Jugoslávia, Tunísia, Rússia, Hungria, Espanha e Israel) revelam bem a heterogeneidade das suas origens, o Ensemble Harel interpreta “Yedid Nefesh” um repertório bastante exaustivo, com cantos religiosos e profanos da tradição sefardita, em ladino, árabe e hebraico.”
(01) Yedidi Hashakhakhta (7:11)
(10) Shaar, petakh dodi (4:01)
(12) Shalom leven-dodi (5:28)
(03) Ya viene el cativo (3:17)

domingo, 27 de maio de 2012

62. Transkapela (Polónia) / The Waverly Consort (EUA)


Encantos da Alma (27/05/2012)
 1.ª hora: Transkapela (Polónia)
“Transkapela é um projeto artístico de quatro músicos da Polónia que atuam em diversas áreas da música tradicional e que tentam encontrar o seu novo significado e contexto contemporâneo. A pesquisa musical do grupo gira em torno da música tradicional de várias regiões culturais, nomeadamente Malopolska, Galiza, Bukovina, Hucul, Maramures e Transylvania, entre outras, onde vão buscar as raízes, elementos comuns e os valores intemporais. As fontes musicais são uma inspiração para as próprias interpretações e composições dos Transkapela, tanto mais que constroem a sua música não na base de imitações, mas agindo sobre os padrões tradicionais, de uma forma criativa.
A música dos Klezmorim (plural de klezmer - cujo nome deriva dos dois termos bíblicos hebraicos “klej”, instrumento ou recipiente, e “zemer”, cantar ou tocar música), desde sempre fez parte do principal repertório dos Transkapela. Esta música, existente nas tradições das pequenas cidades e das aldeias dos Cárpatos, nos casamentos Hucul, nas estalagens de Bukovina, nos lares judeus e até nos salões aristocráticos encantou o grupo com a sua simplicidade, mas também com a sua forma magistral, permitindo-lhes construir autênticos mosaicos de estilos e motivos das culturas centro-europeias.
Os Transkapela, até à data, editaram os registos “Sounds & Shadows”, (considerado o melhor álbum de folk polaco de 2005), “Over the Village” (Ferment, 2006), “Transkapela” (editado pela Arc, em 2007), “Karpatsky Album” (registado ao vivo no festival “Sheshory 2007”, na Ucrânia) e “Radosti i smutky: Delights and sorrows” (registado ao vivo no festival "Folk Holidays 2009” (IHT 2010).”
(03) Usypianki/Lullabies: Šlof, Že Šlof... / Rumuńska (3:50) “Over the Village”
(17) Zsidós Od Manio / Zsidós From Manio (2:12) “Over the Village”
(16) Trans-Nuta / Trans-Note (5:36) “Over the Village”
(08) Hora mare din Bucovina (4:08) “Sounds & Shadows”
(07) Tango (2:20) “Sounds & Shadows”

2ª Hora: The Waverly Consort (EUA)
“The Waverly Consort é um ensemble de instrumentistas e cantores dos EUA, que se dedicam à interpretação de música antiga, tendo sido um dos pioneiros a fazê-lo no outro lado do Atlântico. O seu repertório incide, sobretudo, sobre as obras da Idade Média, abarcando um período que vai desde o século X até ao Renascimento. No entanto, o grupo incide também a sua atuação noutros períodos, como é o caso do registo de 1996 “An American Journey”, que inclui músicas do século XIX.
The Waverly Consort foi fundado em 1964 por Michael e Kay Jaffee. Michael dirige o ensemble, desde a sua fundação, e toca exemplarmente vários instrumentos, entre os quais a guitarra, a cítola e o alaúde. Kay é também uma talentosa instrumentista, exímia na harpa, flauta e gaita-de-foles. Constituído regularmente por treze elementos, o ensemble apresenta, no entanto, uma constituição variável, consoante os concertos e as gravações, indo de apenas dois ou três até quinze ou mais. Ao longo dos anos, o grupo tem tido a contribuição de muitos intérpretes de renome, nomeadamente a soprano Kathy Theil, que é particularmente conhecida pelas suas interpretações da música de Hildegard von Bingen.
O ensemble foi construindo paulatinamente a sua reputação, ao longo dos anos, mas, por volta de 1980, quando estreou o seu programa anual sobre a História de Natal, no Metropolitan Museum of Art, passou a ser reconhecido como um dos grupos mais importantes no domínio da música antiga. No início dos anos 90, The Waverly Consort atingiu o estatuto de best-seller por duas ocasiões: primeiro com o registo de 1991 “A Renaissance Christmas Celebration” (Sony) e em 1992 com “Music from the Age of Discovery” (EMI). Em 1999, Michael e Kay Jaffee fundaram a sua própria editora, a Wave Records, onde publicaram algumas das suas mais relevantes gravações, como “The Story of Christmas” e “Iberia” (2002).”
(15) Instrumental Interlude (6:43) “Las Cantigas de Santa Maria” 
(04) II. Los set gotxs (5:47) “Spanish Music of Travel and Discovery”
(15) II. Las hermanas reyna y cautiva (2:39) “Spanish Music of Travel and Discovery”
(02) Stella splendens in monte (5:40) “Traveler”

domingo, 20 de maio de 2012

61. Sezen Aksu (Turquia) / Millenarium (Bélgica)


Encantos da Alma (20/05/2012)
 1.ª hora: Sezen Aksu (Turquia)
“Sezen Aksu é uma cantora, produtora e compositora turca que já escreveu mais de 300 canções, lançou 25 álbuns de longa duração e vendeu mais de 40 milhões de álbuns em todo o mundo. Originária de Denizli, cedo se mudou para Izmir onde passou a dedicar-se à pintura, à dança e, desde 1975, também à música. Tornou-se conhecida na Turquia como “A cantora do amor”, a "Rainha da pop" ou o “Pequeno pardal".
Ainda jovem, Sezen Aksu decidiu estudar agronomia. Mais tarde, envolveu-se em questões relacionadas com os direitos humanos, movimentos feministas, questões ambientais e a reforma educacional da Turquia, mas foi na música que mais concentrou os seus esforços. Familiarizou-se com os sons turcos, gregos e dos Balcãs, adquiriu prestígio e reconhecimento no Médio Oriente e tornou-se na principal embaixadora de uma história de dez mil anos da região da Anatólia.
No ocidente, Sezen Aksu tornou-se conhecida graças à reinterpretação das canções de Goran Bregovic, em “The Wedding and the Funeral”, em que o músico e compositor jugoslavo se desembaraçou de toda a instrumentação eletrónica das suas bandas sonoras para dirigir uma orquestra totalmente acústica. O resultado manifestar-se-ia relevante, uma vez que as novas versões se revelaram, na sua maior parte, melhores que as originais, naturalmente que graças também à voz extraordinária de Sezen Aksu.”
(02) Allah’ın Varsa (5:05) “Düğün ve Cenaze” (1997)
(11) Büküm Büküm (4:36) “Yürüyorum Düş Bahçeleri’nde” (2009)
(07) Acıtmışım Canını Sevdikçe (5:32) “Öptüm” (2011)
(02) Tutuklu (4:19) “Adı Bende Saklı” (1998)

2ª Hora: Millenarium (Bélgica)
“Millenarium, um grupo belga dirigido por Christophe Deslignes e um dos projetos mais importantes da etiqueta Ricercar, move-se nas áreas da música antiga religiosa, cortesã e popular do baixo Mediterrâneo.
Do repertório dos Millenarium constam homenagens aos trovadores medievais que celebram as mulheres e a alegria e o divertimento do amor cortês; abordagens aos manuscritos do século XIV Carmina Burana e Llibre Vermell; reconstruções de uma Missa dos Doidos, tal como teria sido interpretada nas grandes catedrais francesas, no século XIII, entre o Natal e o Ano Novo; e descrições da música instrumental medieval, composta antes da emergência da polifonia.
Contando com as colaborações contrastantes do Choeur de Chambre de Namur (peregrinos), dos Psallentes (monges) e de Les Pastoureaux (coristas de uma abadia), os Millenarium editaram, até à data, os seguintes registos: “Chansons de Troubadours et Danses de Jongleurs” (2001), “Douce Amie – Chansons deTrouvères” (2002), “Carmina Burana: Tempus Transit” (2004), “Carmina Burana: Officium Lusorum” (2006), “Llibre Vermell” (2007) e “Danza Danses médiévales” (2008).” 
(08) La nova estampida real (4:41) “Chansons de Troubadours…” 
(14) Caterine collaudamus (3:45) “Carmina Burana: TempusTransit”
(09) Estampida Arnautz (4:03) “Douce Amie – Chansons de Trouvères”
(02) A que as cousas coitadas (3:02) “Danza Danses médiévales”
(01) Estampida de Rocamadour (7:45) “Carmina Burana: OfficiumLusorum”

domingo, 13 de maio de 2012

60. Emel Mathlouthi (Tunísia) / Ensemble Jehan de Channey (França)

Encantos da Alma (13/05/2012)
1.ª hora: Emel Mathlouthi (Tunísia)
“Emel Mathlouthi é uma autora, compositora, guitarrista e cantora nascida em 1982 na Tunísia, que vem trazer um incrível novo estilo de som à música do seu país. Dotada de uma voz marcante, Emel evoca Joan Baez ou as divas libanesas Soeur Marie Keyrouz e Fairouz, com o seu estilo cativante e lírico, deambulando entre um rock poderoso, o trip hop e as sonoridades orientais e do Magrebe.
Emel Mathlouthi começou a sua carreira artística aos 8 anos de idade no palco de um pequeno anfiteatro, nos subúrbios de Tunes, onde viveu até aos 25 anos. Mudou-se, então, para França para prosseguir a sua carreira como cantora e para demonstrar que a Tunísia não é apenas um destino de turismo exótico, mas o local de uma cultura riquíssima e de encontro de saberes planetários de todos os tempos e lugares.
Este ano (2012), Emel Mathlouthi editou “Kelmti Horra”, o seu primeiro registo, cujos textos, em árabe e em inglês, indiciam o surgimento de uma nova cantora de intervenção. A sua paleta de emoções oscila entre o desafio e a melancolia, a contemplação e a euforia, evocando o amor pela pátria e pela liberdade, a atitude e a alegria de viver. Exemplo perfeito e paradigmático é a canção que dá nome ao álbum e que significa “O meu lema é ser livre”, tendo-se tornado num hino à liberdade ao ser adotada pelos revolucionários da “Primavera Árabe” e cantada nas ruas de Tunes.”
(07) Kelmti Horra (6:29)
(09) Hinama (5:29)
(03) Dhalem (3:56)
(02) Ma Lkit (3:57)

2ª Hora: Ensemble Jehan de Channey (França)
“O Ensemble Jehan de Channey, sediado em Avignon (França), dedica-se desde 1982 à interpretação dos repertórios da Idade Média e da Renascença. Quatro anos após a sua fundação, o grupo abriu um ateliê para transmitir o gosto e a ciência da música antiga; em 1987, constituiu um grupo de dançarinos para criar nos seus espetáculos a ambiência medieval ou renascentista. Com várias edições pela De Plein Vent, o Ensemble Jehan de Channey foi, posteriormente, recuperado pelas edições Frémeaux & Associés.
O registo “Moyen-Âge: Chants & Musiques – XIII”, a obra mais significativa do Ensemble Jehan de Channey, reúne dois CDs representativos do interesse da banda pela Idade Média: o primeiro intitula-se “Trouvères et Troubadours du XIII siècle” e o segundo “Cantigas de Santa Maria / Carmina Burana”.
A poesia cantada e declamada em língua d’Oc ou Occitana pelos troubadours do sul do Loire, de Limousin à Aquitânia e de Auvergne à Provença, ocupando todo o centro da França, bem como a poesia cantada na língua d’Oil pelos trouvères do Norte são o alvo do primeiro CD de “Moyen-Âge: Chants & Musiques – XIII”. No segundo CD, o grupo debruça-se sobre As Cantigas de Santa Maria, dedicadas à Virgem, que foram compostas por volta de 1250-80, sob a direção do então rei de Castela, Afonso X, el sábio (1221-1284), bem como sobre a Carmina Burana, uma coletânea de canções datada de cerca de 1300, que continha poesia trovadoresca, sobretudo em latim, editada em 1847 pelo linguista Johan Andreas Schmeller.”
CD 2 (08) Santa Maria Amar (3:38)
CD 1 (10) Lamento di Tristano, Rotta (4:14) 
CD 2 (17) Virent prata hiemata (0:52)   
CD 1 (02) Quinte Estampie Reale (2:13)
CD 2 (11) Santa Maria Stelle do Dia (3:13)
CD 2 (20) Ecce Torpet Probitas (2:06)
CD 2 (03) Cantiga 2 (2:29)